
Algumas coisas não dá pra esquecer, ou fingir que não aconteceu.
Não tem como fingir que não sabemos que a noite tá um frio de doer e que tem muita gente nas ruas dormindo. Seja sobre papelões ou folhas de jornais. Cobertos com tratos imundos e que não sabem como sair daquela situação.
Os motivos que levam uma pessoa a perder o rumo, parar nas ruas e viver sob o céu, não dá pra saber. Podem ser vários, como lares desfeitos, desemprego, drogas ou até mesmo a loucura.
Mas não dá é pra ficar de braços cruzados em nossas camas quentes, desperdiçando comida e jogando fora roupas que podem servir para quem não tem nada.
Basta sair nas ruas em qualquer horário e nos deparamos com a realidade...
Tá demais... Não tá???
Tá sim!!! Tá demais a hipocrisia... Tá demais a cara de pau... Tá demais a mentira, a fofoca e a falta de escrúpulos... Tá demais a falta de vergonha na cara... Tá demais a falcatrua e os esquemas pra se dar bem fácil...
Mas o que tá demais mesmo, é a pobreza. Nisso temos que pensar pra valer e encontrar cada um de nós, o seu jeito de tentar melhorar o mundo em que vivemos.
Faz tempo que participei de um projeto de distribuição de alimentos nas ruas, projeto da Mãe Bete. Me apaixonei pela idéia e hoje tô fazendo parte disso.
Boas idéias dão filhotes, Mãe Bete...
Eu montei um grupo e no dia 25/08/2009, fizemos nossa primeira doação nas ruas.
Na primeira vez que fui, chorei, lembrando de dificuldades passadas pela minha família e me senti bem ajudando gente que tava precisando de ajuda, como eu já precisei.
Depois de algumas vezes participando destes trabalhos, nós achamos que não ficaremos mais surpresos com os acontecimentos. Mas pessoas são sempre surpreendentes...
No meio de tantas pessoas que encontramos, duas me chamaram atenção especial. A primeira, foi uma mulher que entre todos aqueles homens, começou a coordenar o trabalho, me indicou onde haviam pessoas, e literalmente me deu ordens, dizendo “-Vá lá que tem 3! Ali, tem 2!” E assim, ela coordenou nosso grupo, com o dedo apontado, a voz firme, ela parecia perceber o quanto sua ajuda estava sendo importante para nós, que estávamos no fundo, inseguros. Quando terminamos, num sorriso que revelava seus belos dentes, ela me agradeceu e mandou que eu fosse com Deus e que Deus me abençoasse. Senti falta de Mãe Bete, quando olhei ao redor e pensei e agora pra onde vamos? Foi exatamente nessa hora que ela surgiu... rs rs rs
Ao chegarmos ao último lugar que ela indicou (mandou!), tive minha segunda e maior surpresa. Um homem deitado no chão, com o rosto cheio de pontos e a perna enfaixada, que mal abriu os olhos, me chamou e perguntou se podia me fazer um pedido. Eu disse que sim, que se pudesse, eu atenderia. Ele me respondeu, “ A senhora pode, a senhora pode sim.” Eu disse que então ele pedisse. Ele me pediu a coisa mais simples e ao mesmo tempo mais valiosa que eu podia doar naquela noite. Ele me pediu uma oração por ele. E eu que já fiz tantas orações por tantas pessoas, senti o chão faltar. Minhas pernas tremeram e minha voz parecia não querer sair. Entre lágrimas eu orei por ele e por todos que estavam debaixo daquele ponto de ônibus. Orei por todos que estavam ali comigo ajudando. Acho que foi a melhor oração que fiz nos últimos tempos.
TÁ DEMAIS MESMO.
ResponderExcluirPenso sobre essas coisas quase todos os dias quando no ônibus passo por benfica,triagem,jacarezinho...
Até entrar na faculdade eu nunca tinha nem passado por esses lugares, eu não tinha noção de quantos pessoas passavam noite e dia na rua.
Nos primeiros dias, pela manhã, foi realmente um choque pra mim.Criança pequena dormindo na calçada sem a menor proteção quando eu DE CASACO tava morrendo de frio.
Chegava em casa e comentava com a minha mãe o número assustador de pessoas que vi dormindo na rua naquele dia...
É de assustar mesmo, é tenebroso ver que a realidade é essa aí.
Pior ainda é ver que quem tem o poder nas mãos, não tá nem um pouco interessado em resolver essa e outras situações que a muito tempo ja chegaram no limite.
Mas MUITO PIOR MESMO é ter a certeza de que quem escolhe essa galera nojenta somos nós mesmos!
Beleza que ninguém vai fazer milagre e resolver tudo em 4 anos, (ou até em 8 né?Porque com um povo burro como o nosso,qualquer ignorante incapaz de utilizar seu próprio idioma da forma correta tem uma 2ª chance!)mas se alguém pelo menos começar a se comprometer com o que é realmente necessário, a coisa pode melhorar e DÁ pra melhorar!
Fica aqui a minha dica então:
Ano que vem votemos nas putas, porque os filhos delas não resolvem nada.
Ao falar desse assunto torno-me ácida . Não há como fingir que tudo está "cor de rosa" e nem quero isso. Penso que esse tempo "rosa" encontra-se muito distante pois a realidade que vivemos é bastante dolorosa.
ResponderExcluirEmergências , postos de saúde , ambulatórios lotados. Médicos mal remunerados e cidadãos sem condições mínimas de manter qualquer tipo de tratamento para saúde seja por carência de conhecimento , orientação e ou condições financeiras.
Pessoas que fazem das ruas sua moradia, não pq são boêmias e sim por ñ terem outra opção. A miséria está além dos dados do IBGE e da nossa imaginação.
O Estado tem o dever de levar saúde e moradia para a população. Assim como , também , fornecer medicamentos com valores acessíveis ou gratuitamente para população de baixa renda , aposentados e afins. Os impostos que pagamos vão para qual destino afinal ? Vc sabe?! Nem Deus!
Sempre "tudo está sobre controle", como dizem nossos políticos. Isso porque eles não necessitam enfrentar filas e assistir seus entes queridos passando por privações e dificuldades materiais num mundo em que a doença é mais valorizada do que a saúde. Primeiro se adoece para depois tratar! Onde está a educação, a prevenção e a saúde sanitária? Se não há o básico para a sobrevivência e existem camadas de nossa população vivendo miseravelmente, sem trabalho, moradia e sem ter o que comer? A maioria, repito, por falta de opção .
E o que cada um de nós pode fazer diante desse cenário de miséria social que assistimos? Dentre outras coisas, mesmo sendo pequenas mas com certeza serão de grande valor para quem precisa de auxílio, descobri com vcs mais uma forma de ajudar e me sinto honrada e feliz por isso. Fazer parte do grupo do dia 25 foi inesquecível. Foi uma linda ação de vcs e estarei feliz em poder participar mais vezes. Minha alma sorriu! Q possamos repetir por mtos e mtos anos porque todos nascemos para sermos felizes. E aquelas pessoas só se distanciam de nós por uma palavra, "oportunidade".
Acredito que há uma luz no fim do túnel e que Deus nos guia SEMPRE!
Por isso, acredito que um dia o mundo será melhor.
Ninguém me calará!
ResponderExcluirSou aquela ave que passa riscando os céus,
para conhecer um mundo novo,
um mundo, onde não haja disputas,
indiferenças e dor!
Onde não haja o " eu" monossilábico e frio
que não condiz com meu Amor!
"Eu sou, eu faço, eu quero"!
Não me condiz!
Sou livre demais , para me deixar prender,
na gaiola da ilusão,
onde falsas promessas,
falsos seres querem se açambarcar
do meu mundo real.
Não preciso de muito para ser feliz,
até com uma colcha de retalhos me cobrirei,
com um pedaço de pão dividido,
serei feliz!
Não escrevo sobre a miséria, pois não a conheci,
mas a miséria da alma, essa, eu a conheço bem.
Não a possuo e irei voando ao Infinito,
com minhas asas cheias de Amor, para cantar,
para louvar a vida, apesar de todas as agruras que passei
e reais foram.
Ah! Amigos, nem queiram saber!
Não direi!
Nada de coisas tristes ou revolta,
pois meu peito hoje é uma cachoeira de amor
e, como cachoeira,
quero morrer,
dando água aos que têm sede,
e amor aos desamparados!
Eda Carneiro.
A muito tempo também participei de uma distribuição de sopas pelo Centro Kardecista Mallet. A minha primeira vez não foi diferente, lembrei do tempo que nos ajudaram e me vi ajudandando pessoas que não tinham a menor direção a seguir. Soube desta sua nova empreitada pela nossa mãe na terça-feira pela manhã fiquei muito feliz e já informo que também vou participar. Sei que não podemos nivelar todas as pessoas que estão na rua, mas realmente é de cortar o coração cenas que vemos ao voltarmos para casa. Nesta semana fui vítima de um assalto em plena Rua Vinte Quatro de Maio. O que aterroriza é a frieza com que eles agem. Segundos antes havíamos eu e meu patrão(ainda se fazem corações bons, como era tarde ele veio me trazer até próximo de casa),vimos um homem acendendo uma fogueirinha para se aquecer, a noite de quarta-feira estava fria.
ResponderExcluirEle se cobria apenas com um cobertor, como aquilo me entristeceu. Esta é a nossa sociedade, uns andam com carro blindado e dormem em edredons quentes e outros se aquecem com um pequeno cobertor e uma fogueirinha. Esta na hora de nós como sociedade pensarmos muito antes de votarmos
Obrigada Verônica por seu comentário. Inteligente e verdadeiro. Fico orgulhosa por ver que você está atenta, sendo tão jovem e que deseja mudar a realidade que encontramos.
ResponderExcluirQuanto a você Simone, o Projeto Atoto - Fé e Ação, é nosso!!! Sua ajuda, foi ímpar. Nossa cozinheira, que fez um espetáculo de refeição e que conseguiu a maior parte das doações.
Estou muito feliz por tê-la no nosso grupo.
Obrigada!
Que bom Simone, minha irmã, por querer participar. Fico feliz demais, com sua ajuda.
ResponderExcluirDe quilo em quilo, fazemos mais quentinhas!!!
Obrigada!!!