sexta-feira, 6 de novembro de 2009

E sorriu o Deus dos deuses

... E o Deus dos deuses separou de si mesmo uma alma e a dotou de beleza.


E deu-lhe a suavidade da brisa matinal e o perfume das flores do campo e adoçura do luar.


E entregou-lhe a taça da alegria, dizendo-lhe: "Só poderás beber desta taça se esqueceres o passado e não te preocupares com o futuro.


"E entregou-lhe a taça da tristeza, dizendo: "Bebe dela, e compreenderás a essência da alegria da vida.


"E soprou nela um amor que a abandonaria ao primeiro suspiro de saciedade, e uma meiguice que a abandonaria à primeira manifestação de orgulho.


E fez descer sobre ela, do céu, um instinto que lhe revelaria os caminhos da verdade.


E depositou nas suas profundezas uma visão que vê, o que não se vê.


E criou nela sentimentos que deslizam com as sombras e caminham com os fantasmas.


E vestiu-a de um vestido de paixão que os anjos teceram com as ondulações do arco-íris.


E colocou nela as trevas da dúvida, que são as sombras da luz.


E tomou fogo da forja do ódio, e ventos do deserto da ignorância, e areia do mar do egoísmo, e terra pisada pelos pés dos séculos e amassou todos esses elementos e fez o homem.


E deu-lhe uma força cega que se inflama nas horas de loucura e desvanece diante das tentações.


Depois, depositou nele a vida, que é o reflexo da morte.


E sorriu o Deus dos deuses, e chorou, e sentiu um amor incomensurável e infinito e uniu o homem e a alma.

(Gibran Khalil Gibran)
... E o Deus dos deuses separou de si mesmo uma alma e a dotou de beleza.


E deu-lhe a suavidade da brisa matinal e o perfume das flores do campo e adoçura do luar.


E entregou-lhe a taça da alegria, dizendo-lhe: "Só poderás beber desta taça se esqueceres o passado e não te preocupares com o futuro.


"E entregou-lhe a taça da tristeza, dizendo: "Bebe dela, e compreenderás a essência da alegria da vida.


"E soprou nela um amor que a abandonaria ao primeiro suspiro de saciedade, e uma meiguice que a abandonaria à primeira manifestação de orgulho.


E fez descer sobre ela, do céu, um instinto que lhe revelaria os caminhos da verdade.


E depositou nas suas profundezas uma visão que vê, o que não se vê.


E criou nela sentimentos que deslizam com as sombras e caminham com os fantasmas.


E vestiu-a de um vestido de paixão que os anjos teceram com as ondulações do arco-íris.


E colocou nela as trevas da dúvida, que são as sombras da luz.


E tomou fogo da forja do ódio, e ventos do deserto da ignorância, e areia do mar do egoísmo, e terra pisada pelos pés dos séculos e amassou todos esses elementos e fez o homem.


E deu-lhe uma força cega que se inflama nas horas de loucura e desvanece diante das tentações.


Depois, depositou nele a vida, que é o reflexo da morte.


E sorriu o Deus dos deuses, e chorou, e sentiu um amor incomensurável e infinito e uniu o homem e a alma.

(Gibran Khalil Gibran)

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