quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vida familiar

Me surpreende ainda, ouvir relatos de omissão de ajuda...
Principalmente quando a ajuda negada, vem de pais para filhos.
Durante minha vida, vivi esta experiência de perto, tendo a falta de apoio daquele que deveria ser meu porto seguro, meu pai. Enquanto minhas necessidades básicas eram supridas pela caridade de quem não tinha nenhuma obrigação comigo, ele cuidava de seus próprios interesses, que obviamente não incluiam suas filhas.
Ouço frequentemente, queixas de filhos sobre seus pais, neste mesmo ponto. Me pergunto muitas vezes, por que isso acontece? Mas não encontro nenhuma explicação lógica, a não ser o egoísmo.
Se os pais não tem condições finaceiras para auxiliar aos seus filhos, poderiam ao menos ser presentes, amigos e amorosos.
Não é o que tenho observado. Vejo sim, ausência. Muita ausência.
Estes filhos crescem e constroem suas vidas como se fosse preciso duelar com um leão por dia. Aquilo que conquistam é cheio de mágoas e cicatrizes profundas. São sobreviventes. Mas quando já adultos se tornam, se tropeçam no meio do caminho, eles se perguntam, ou melhor, nós nos perguntamos (rs) a quem vamos recorrer? A única certeza que temos, é a de que teremos que recorrer a nós mesmos, ao banco, ao terapeuta, aos amigos, alguns parentes talvez. Isto se estes já não estiverem cansados por terem nos socorrido no passado e não nos olhem como futuros fracassados eternamente e queiram distância de nós.
É complicado perceber quantas famílias promissoras soltam no mundo filhos previamente falidos, por sua própria culpa. E não falo de falência financeira apenas, falo de falência moral, emocional e até espiritual.
São frutos da displicencia familiar. Filhos de famílias onde falsas aparências, conveniências sociais, exemplos deturpados, que estão agora adultos e não tem bases reais para tomarem e seguirem suas vidas.
Quantos filhos descobrem após anos crendo que seus pais eram um exemplo de casal feliz, que na verdade eram exemplo de mentiras, vidas duplas e cinismo?
Como ficam as vidas destas criaturas daí para frente? Como olhar o mundo e a si mesmo ao descobrir que tudo em que acreditavam era ilusão?
Triste. Real. Ficamos todos atônitos.
Mas não podemos mudar o que os outros viveram. Podemos porém, dar a nossa contribuição, não agindo da mesma forma.
Não precisamos viver todas as coisas para percebermos o que não devemos fazer. Podemos raciocinar e fazer o que é certo.

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